O dia estava frio, mas o corpo suava todo. Os cabelos negros e escorridos lhe caiam sobre a testa molhados e embaraçados.De cima de sua cama o pequeno menino se encolhia nervoso contra a cabeceira, olhando fixamente para o vão inferior da porta, como se dali fosse saltar a mais incrível de suas fantasias. Seus olhos esbugalhados e ansiosos relutavam para não piscarem, medrosos de perder qualquer detalhe. A boca contraia-se contra os dentes e abria-se somente para recuperar o ar que lhe faltava em intervalos periódicos. Os pés minúsculos voltados para dentro comprimiam o travesseiro macio. Seu tronco pequenino encolhia-se sobre as mãos que, apoiadas nos joelhos, agarravam o lençol listrado inexoravelmente, marcando-o com seus sulcos delicados.
A espera lhe torturava o coração. Conseguiria sobreviver àquela espera? Por que é que ela não chegava? N
ão teria sentido o mesmo que ele? Impossível! Lembrava com exatidão, como se fosse o momento mais fantástico que tivera vivido, quando se encontraram pela primeira vez... Não é possível que somente ele havia sentido... Ela também deveria ter sentido, ele sabia que sim... Ela sentiu, claro que sentiu! E também deve estar ansiosa para reencontrá-lo hoje, o dia tão esperado. Mas por que demorava tanto? Por que é que ela não chegava?O coração palpitava forte. Sentia-se cansado; seria mais fácil se tivesse corrido milhares de quarteirões sem descanso. O pulmão não era grande o bastante para respirar todo o ar que necessitava naquele momento. O corpo tremia por inteiro numa sensação indescritível de
descontrole e rebeldia...E então um estalo na porta denunciava que finalmente haviam chegado, ela havia chegado! Agora ele deveria ir até ela e mostrar tudo o que sentia, dizer que sentia saudades, abraçá-la e... Mas sequer respirava, permanecia estático, sem ação, sem coragem... E em seu pequeno conflito interno ele permanecia, enquanto a ouvia se aproximando lentamente... Enquanto vivia a sensação de finalmente tê-la ali... Enquanto escutava o doce som que ela fazia quando andava pelo assoalho do corredor... Enquanto saboreava a sensação de finalmente ter sua primeira bicicleta!

15 comentários:
hehehehhe
O amor vai mudando conforme a idade...huahua
flw!
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segue o twitter tb ^^
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Valeu!!!
Super bacana. Tava achando que ele tava com saudade da mãe. A idéia da bicicleta foi muito legal!
Beijos
Surpreendeu..dei uma de esperto e imaginei ser a mãe do garoto.
A inocência de uma criança é fascinante mesmo!
Abraço!
Ahaha
Fazia tempo que não lia um texto com uma reviravolta como essa! Valeu a pena acompanhar! Hehehe...
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OPa...
Como evoluiu a narrativa desde o texto anterior!!!! Muito bom, Conciso e envolvente... gostei muito.
E a escolha da trilha sonora não poderia ter sido mais adequada....
Vai melhorando cada vez mais.
Eu amei as imagens acompanhando a história deram uma personalidade A+ pro texto que está muito bom...Super adorei ;)
Ah primeiros amores, quem consegue explica-los tao bem ou simplesmente esquece-los?!
bjs
http://www.pequenosdeleites.blogspot.com
KKKKKKKKKKKKKKKK
num sei se fico com raiva ou dou risada com esse final da bicicleta, genial!
KKKKKKKKKKKKKKKK
num sei se fico com raiva ou dou risada com esse final da bicicleta, genial!
E eu pensando outra coisa! Era só uma bicicleta! Deve ter pegado todo mundo!
putz, pensei que era outra coisa tambem, fiquei 'puto da cara' com o final da bicicleta, sacanagem :P
Tudo na vida muda.
A vida é feita de mudanças.
http://saudeecompanhia.blogspot.com//
Seria bom se o amor não tomasse proporções tão absurdas com o passar do tempo.
Amei o comentário em meu blog, são essas palavras que nos incentivam a continuar escrevendo.
Beijo.
amar as coisas mais simples da vida, torna a vida melhor :)
gostei do texto. :)
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