E então, o príncipe altivo gritou de cima do monte:- Enfim cheguei para salvar-te, princesa. Grite de onde estiver!
Os ecos de suas palavras foram os únicos ruídos de resposta.
- Seja quem fores tu. Estou aqui para resgatar-te.
Novamente os ecos e em seguida o silêncio fúnebre do entardecer predominava à sua volta.
O príncipe então suspirou com melancolia e começou a descer do monte. Pelos sulcos de sua face descia uma densa lágrima e seu olhar vazio demonstrava a profunda decepção que habitava seus pensamentos. Descia com passos pesados e vagarosos, como se o corpo fosse um fardo a ser carregado.
Então, ao desviar de uma fenda no chão, tropeçou em algo que pareceu ser um galho espinhoso e retorcido e, pela dor causada ou pelo simples susto, perdeu o equilíbrio e rolou desengonçadamente, caindo sobre uma grande pedra plana. Endireitou-se sem ânimo, de forma a sentar-se, e ao fazê-lo avistou um ser aparentemente humano, mas de características estranhas que ele não saberia distinguir.
A criatura o encarava, soltando uma enorme gargalhada, sentada sobre a mesma grande pedra. O que lhe causou certa irritação:
Os ecos de suas palavras foram os únicos ruídos de resposta.
- Seja quem fores tu. Estou aqui para resgatar-te.
Novamente os ecos e em seguida o silêncio fúnebre do entardecer predominava à sua volta.
O príncipe então suspirou com melancolia e começou a descer do monte. Pelos sulcos de sua face descia uma densa lágrima e seu olhar vazio demonstrava a profunda decepção que habitava seus pensamentos. Descia com passos pesados e vagarosos, como se o corpo fosse um fardo a ser carregado.
Então, ao desviar de uma fenda no chão, tropeçou em algo que pareceu ser um galho espinhoso e retorcido e, pela dor causada ou pelo simples susto, perdeu o equilíbrio e rolou desengonçadamente, caindo sobre uma grande pedra plana. Endireitou-se sem ânimo, de forma a sentar-se, e ao fazê-lo avistou um ser aparentemente humano, mas de características estranhas que ele não saberia distinguir.
A criatura o encarava, soltando uma enorme gargalhada, sentada sobre a mesma grande pedra. O que lhe causou certa irritação:- Alegra-se de minha desgraça?
- Sim - Respondeu a criatura sem constrangimento.
- E o que há de tão engraçado?
- Tudo, oras! Já é a milésima vez que lhe vejo tentando resgatar alguém, que eu nem faço idéia de quem seja, e hoje, além da frustração de sempre, conseguiu um belo arranhão na panturrilha!
- Que espécie de pessoa você...
- Um anjo. Não sou uma pessoa, sou um anjo...
- Pois, você, um anjo. Nunca se equivocou com seu próprio coração?
- Coração? – E a feição antes debochada do anjo tomou a forma de um leve e confuso despeito – Acho que não tenho um coração!
- Sorte a sua!
- Também não sei o que é sorte.
- Ainda assim a tem, por não saber que tem um coração! Agora me deixe, pois preciso continuar meu caminho.
- Espere... Quando você vai assim, sinto algo dentro de mim...
- Um alívio?
- Não. Não é algo que gosto de sentir, é como um vazio entre os músculos e os ossos.
- Um vazio?! Mas como pode sentir um vazio pela ausência de alguém, se nem acredita ter um coração?
- Não sei, você pode me explicar?
- Eu? Não entendo nem os meus problemas! Mas posso tentar lhe ajudar, se for breve. Aliás, mostra-me como os anjos voam?
- Eu também não sei voar!
- O que você sabe então?
- Saberei tudo o que você me ensinar! Volte e fique aqui comigo, para que me ensine tudo.
- Quer mesmo? E se você se cansar de mim?
- Só me cansarei de você, quando me ensinar isso, se cansando de mim primeiramente.
- Mas ainda tenho uma missão. Preciso resgatar alguém!
- Quando você subiu este monte hoje, buscava alguém para resgatar, mas não escutou som algum, por que ainda não compreendia a linguagem de quem procurava. Mas ao tropeçar na rosa que eu cultivava, entrou em contato com o que eu tinha de mais precioso, por isso me tornei vulnerável e visível a seus sentidos e você, por ingênua curiosidade, acreditou em meus sentimentos que ainda nem existem. Resgatou-me enfim de minha solidão...
Agora volte para que ensine tudo!
- Sim - Respondeu a criatura sem constrangimento.
- E o que há de tão engraçado?
- Tudo, oras! Já é a milésima vez que lhe vejo tentando resgatar alguém, que eu nem faço idéia de quem seja, e hoje, além da frustração de sempre, conseguiu um belo arranhão na panturrilha!
- Que espécie de pessoa você...
- Um anjo. Não sou uma pessoa, sou um anjo...
- Pois, você, um anjo. Nunca se equivocou com seu próprio coração?
- Coração? – E a feição antes debochada do anjo tomou a forma de um leve e confuso despeito – Acho que não tenho um coração!
- Sorte a sua!
- Também não sei o que é sorte.
- Ainda assim a tem, por não saber que tem um coração! Agora me deixe, pois preciso continuar meu caminho.
- Espere... Quando você vai assim, sinto algo dentro de mim...
- Um alívio?
- Não. Não é algo que gosto de sentir, é como um vazio entre os músculos e os ossos.
- Um vazio?! Mas como pode sentir um vazio pela ausência de alguém, se nem acredita ter um coração?
- Não sei, você pode me explicar?
- Eu? Não entendo nem os meus problemas! Mas posso tentar lhe ajudar, se for breve. Aliás, mostra-me como os anjos voam?
- Eu também não sei voar!
- O que você sabe então?
- Saberei tudo o que você me ensinar! Volte e fique aqui comigo, para que me ensine tudo.
- Quer mesmo? E se você se cansar de mim?
- Só me cansarei de você, quando me ensinar isso, se cansando de mim primeiramente.
- Mas ainda tenho uma missão. Preciso resgatar alguém!
- Quando você subiu este monte hoje, buscava alguém para resgatar, mas não escutou som algum, por que ainda não compreendia a linguagem de quem procurava. Mas ao tropeçar na rosa que eu cultivava, entrou em contato com o que eu tinha de mais precioso, por isso me tornei vulnerável e visível a seus sentidos e você, por ingênua curiosidade, acreditou em meus sentimentos que ainda nem existem. Resgatou-me enfim de minha solidão...Agora volte para que ensine tudo!

3 comentários:
Pois é... às vezes as coisas estão tão próximas da gente e não conseguimos encontrar o que estamos buscando. Nossa ignorância (no sentido de não saber) nos deixa cegos, buscando as princesas idealizadas pelas ideias as quais fomos acostumados.
É necessários abrirmos nossos sentidos para podermos enxergar com mais verdade e, quem sabe, ver nosso destino com mais clareza... infinita, enquanto dure!
gosto da sua forma de escrever... tambem tenho este dom... sucesso!!!
bellissimo blog.
vc merece prbns .
gostei muito.
Postar um comentário